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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

JORNALISTAS RELATAM AGRESSÕES, ROUBOS E HUMILHAÇÃO DURANTE COBERTURA DA CRISE NO EGITO


Vários jornalistas que estão na capital egípcia para a cobertura das manifestações que começaram há cerca de 10 dias contra o governo do ditador Hosni Mubarak relatam que estão sofrendo agressões.
O jornalista brasileiro Luiz Antônio Araujo, enviado especial ao Egito do jornal do Rio Grande do Sul Zero Hora e da rede RBS, disse que foi agredido e roubado por um grupo de 50 simpatizantes do presidente egípcio. Segundo Araujo, ele foi cercado por um pelos manifestantes munidos de pedras e facas, que roubaram sua câmera digital e carteira.
De acordo com o jornalista, o ataque ocorreu nesta quinta-feira (3) quando ele estava perto da Praça Tahrir, no Cairo, local que se transformou em palco de violentos confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao governo. ''Era um grupo de cerca de 50 pessoas com facas e pedras. Eles levaram minha câmera digital e minha carteira. Tenho certeza que [os agressores] eram simpatizantes de Mubarak porque o ataque aconteceu em uma área controlada por eles.''
Araujo contou que o roubo ocorreu na frente de soldados do Exército egípcio, que estão acampados na praça desde ontem (2), mas que os militares não esboçaram qualquer reação. Além de Araujo, outros jornalistas estrangeiros foram agredidos ou detidos nos arredores da praça.
O repórter da BBC Rupert Wingfield-Hayes disse ter sido preso pela polícia secreta egípcia, algemado e vendado. Segundo ele, os policiais prenderam-no por três horas, interrogaram-no e depois o soltaram.
A emissora Reuters Television relatou que integrantes de sua equipe foram agredidos nesta quinta (3), perto da Praça Tahrir, enquanto registravam imagens para uma reportagem sobre bancos e lojas que foram obrigadas a fechar durante os confrontos entre as duas facções.
A jornalista Christiane Amanpour, da rede ABC News, contou ter sido cercada por militantes quando tentava entrevistar um ativista pró-Mubarak e eles teriam gritado: ''vá para o inferno'' e ''nós odiamos os Estados Unidos''.
O repórter da rede CNN Anderson Cooper disse que, ao entrar na praça, ele, um produtor e um cinegrafista foram cercados por uma multidão, que começou a socá-los e a tentar a tomar suas câmeras.
A rede de TV americana CBS informou que integrantes de sua equipe foram forçados a abandonar a Praça Tahrir não sem antes entregar suas câmeras sob a mira de armas por supostos militantes pró-governo.

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